terça-feira, 17 de outubro de 2017

SENADO CONTRARIA DECISÃO DO SUPREMO - DECISÃO AFASTAVA CAUTELARMENTE O SENADOR AÉCIO NEVES - VEJA COMO VOTOU CADA SENADOR

O Plenário do Senado tornou sem efeito nesta terça-feira (17) a decisão jurídica do Supremo Tribunal Federal (STF) que havia afastado do mandato e determinado o recolhimento noturno do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foram 44 votos contra e 26 a favor das medidas cautelares impostas pela Primeira Turma da Corte. A Constituição exige que a decisão seja tomada por maioria absoluta dos membros da casa legislativa, pelo menos 41 votos.

COMO VOTOU CADA SENADOR
PRÓ-AÉCIO / CONTRA STF
CONTRA AÉCIO / A FAVOR DO STF
Airton Sandoval (PMDB-SP)
Acir Gurgacz (PDT-RO)
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Alvaro Dias (Pode-PR)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Ana Amélia (PP-RS)
Benedito de Lira (PP-AL)
Ângela Portela (PDT-RR)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
Cidinho Santos (PR-MT)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Humberto Costa (PT-PE)
Dalírio Beber (PSDB-SC)
João Capiberibe (PSB-AP)
Dário Berger (PMDB-SC)
José Medeiros (Pode-MT)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
José Pimentel (PT-CE)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Eduardo Amorim (PSDB-SE)
Lasier Martins (PSD-RS)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Elmano Férrer (PMDB-PI)
Lúcia Vânia (PSB-GO)
Fernando Coelho (PMDB-PE)
Magno Malta (PR-ES)
Fernando Collor (PTC-AL)
Otto Alencar (PSD-BA)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Paulo Paim (PT-RS)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Paulo Rocha (PT-PA)
Hélio José (PROS-DF)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Ivo Cassol (PMDB-RO)
Regina Sousa (PT-PI)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
Reguffe (Sem partido-DF)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
Roberto Requião (PMDB-PR)
José Agripino Maia (DEM-RN)
Romário (Pode-RJ)
José Maranhão (PMDB-PB)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
José Serra (PSDB-SP)
Walter Pinheiro (Sem partido-BA)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)

Marta Suplicy (PMDB-SP)

Omar Aziz (PSD-AM)

Paulo Bauer (PSDB-SC)

Pedro Chaves (PSC-MS)

Raimundo Lira (PMDB-PB)

Renan Calheiros (PMDB-AL)

Roberto Rocha (PSDB-MA)

Romero Jucá (PMDB-RR)

Simone Tebet (PMDB-MS)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Telmário Mota (PTB-RR)

Valdir Raupp (PMDB-RO)

Vicentinho Alves (PR-TO)

Waldemir Moka (PMDB-MS)

Wellington Fagundes (PR-MT)

Wilder Morais (PP-GO)

Zezé Perrella (PMDB-MG)


Aécio Neves estava afastado temporariamente do mandato desde 26 de setembro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) denuncia o tucano por corrupção passiva e obstrução de Justiça, com base em delações premiadas do grupo empresarial J&F. Ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista.

Cinco parlamentares discursaram pela manutenção das medidas cautelares impostas a Aécio Neves. O senador Alvaro Dias (Pode-PR) afirmou que o Plenário precisa respeitar o papel do STF como intérprete da Constituição.

— Estamos aqui para definir se a decisão do Supremo vale ou não vale, se a respeitamos ou não. Não votamos contra o senador [Aécio Neves]. Votamos em respeito à independência dos Poderes e em respeito a quem cabe a última palavra sobre a interpretação da Constituição, que é o STF, e não o Senado — disse.

O senador Reguffe (sem partido-DF) usou o mesmo argumento.

— O Senado não pode e não deve rever uma decisão da Justiça brasileira, qualquer que seja ela. Se alguém deve rever uma decisão, deve ser a própria Justiça. O papel do Senado é outro — afirmou.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse votar pela manutenção das medidas cautelares “por coerência”.

— Votei pela cassação do mandato do senador Demóstenes Torres, votei pela cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral e votei pelo afastamento da presidente da República Dilma Rousseff. Voto “sim” pelos valores que sempre tenho defendido — afirmou.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apoiou a manutenção das medidas cautelares impostas pelo STF “para que todos sejam considerados iguais perante a lei”.

— Não estamos avaliando a biografia de ninguém. Se decidirmos diferente da Primeira Turma do STF, estaremos ofendendo outro princípio. Cidadãos que sofrem decisão judicial não têm a prerrogativa que nós parlamentares temos de revogar a decisão na nossa Casa Legislativa — afirmou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que o Senado não pode ignorar “o farto material probatório” apresentado pelo Ministério Público.

— O senador Aécio Neves recebeu vantagem indevida de R$ 60 milhões em 2014 por meio de notas frias. Em contrapartida, teria usado o mandato para beneficiar o grupo J&F na liberação de créditos do ICMS — denunciou.

Defesa

A defesa de Aécio Neves coube a outros cinco parlamentares. O senador Telmário Mota (PTB-RR) classificou o afastamento do tucano como “abuso” e “absurdo”.

— Temos que combater a corrupção, mas com rigorosa observância às leis. A aplicação das medidas cautelares configura inegável violação à Constituição. Não tem nenhuma razão que justifique sua manutenção, devendo ser imediatamente sustadas para que o senador reassuma o pleno exercício do seu mandato — afirmou.

O senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) criticou a decisão da Primeira Turma do STF, que classificou como “equivocada”.

— Longe de mim afrontar o STF. Mas estou preocupado com os precedentes. Preocupado que amanhã as medidas cautelares se estendam não apenas para o Congresso, mas para as assembleias legislativas — afirmou.

Para o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), o afastamento do mandato e o recolhimento noturno “não têm cabimento” porque o processo contra Aécio Neves está em uma fase inicial no STF.

— Estamos diante de um processo em que há uma denúncia aceita? Há defesa completa no processo? Todo o processo penal está concluído? Ainda não. Estamos numa fase inaugural, inicial do processo. As medidas cautelares não têm cabimento neste momento — argumentou.
Para o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), a decisão sobre o afastamento de Aécio não tem vencedores.

— É um jogo de perde-perde. Não quero criar biombo para proteger ninguém e não peço proteção a ninguém se um dia cometer erro. Nesse momento não está em discussão a conduta de Aécio Neves, mas a nossa coragem de fazer valer os votos que obtivemos no nossos estados — disse.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) criticou a decisão do Supremo e defendeu a derrubada das medidas cautelares.

— Estaremos dizendo que o mandato é inviolável e que o senador não pode ficar afastado por decisão de uma turma do STF. Não há isso em lugar nenhuma da Constituição. A investigação deve acontecer no STF, onde o senador vai ser julgado com todas as provas claras — afirmou.

Carta

Antes da votação do Plenário, o senador Aécio Neves enviou uma carta aos parlamentares. Ele pediu o apoio dos colegas e disse estar sofrendo uma “trama ardilosamente construída”. Aécio escreveu:

“Talvez você possa imaginar a minha indignação diante da violência a que fui submetido e o sofrimento causado a mim, à minha família e a tantos mineiros e brasileiros que me conhecem de perto em mais de trinta anos na vida pública”.

FONTE: Agência Senado

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