O Plenário do Senado tornou sem efeito nesta terça-feira (17) a decisão jurídica do Supremo Tribunal Federal (STF) que havia afastado do mandato e determinado o recolhimento noturno do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foram 44 votos contra e 26 a favor das medidas cautelares impostas pela Primeira Turma da Corte. A Constituição exige que a decisão seja tomada por maioria absoluta dos membros da casa legislativa, pelo menos 41 votos.
COMO
VOTOU CADA SENADOR
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PRÓ-AÉCIO
/ CONTRA STF
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CONTRA
AÉCIO / A FAVOR DO STF
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Airton Sandoval (PMDB-SP)
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Acir Gurgacz (PDT-RO)
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Antonio Anastasia (PSDB-MG)
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Alvaro Dias (Pode-PR)
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Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
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Ana Amélia (PP-RS)
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Benedito de Lira (PP-AL)
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Ângela Portela (PDT-RR)
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Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
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Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
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Cidinho Santos (PR-MT)
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Fátima Bezerra (PT-RN)
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Ciro Nogueira (PP-PI)
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Humberto Costa (PT-PE)
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Dalírio Beber (PSDB-SC)
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João Capiberibe (PSB-AP)
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Dário Berger (PMDB-SC)
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José Medeiros (Pode-MT)
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Davi Alcolumbre (DEM-AP)
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José Pimentel (PT-CE)
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Edison Lobão (PMDB-MA)
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Kátia Abreu (PMDB-TO)
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Eduardo Amorim (PSDB-SE)
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Lasier Martins (PSD-RS)
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Eduardo Braga (PMDB-AM)
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Lídice da Mata (PSB-BA)
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Eduardo Lopes (PRB-RJ)
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Lindbergh Farias (PT-RJ)
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Elmano Férrer (PMDB-PI)
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Lúcia Vânia (PSB-GO)
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Fernando Coelho (PMDB-PE)
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Magno Malta (PR-ES)
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Fernando Collor (PTC-AL)
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Otto Alencar (PSD-BA)
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Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
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Paulo Paim (PT-RS)
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Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
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Paulo Rocha (PT-PA)
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Hélio José (PROS-DF)
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Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
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Ivo Cassol (PMDB-RO)
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Regina Sousa (PT-PI)
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Jader Barbalho (PMDB-PA)
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Reguffe (Sem partido-DF)
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João Alberto Souza (PMDB-MA)
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Roberto Requião (PMDB-PR)
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José Agripino Maia (DEM-RN)
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Romário (Pode-RJ)
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José Maranhão (PMDB-PB)
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Ronaldo Caiado (DEM-GO)
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José Serra (PSDB-SP)
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Walter Pinheiro (Sem partido-BA)
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Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
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Marta Suplicy (PMDB-SP)
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Omar Aziz (PSD-AM)
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Paulo Bauer (PSDB-SC)
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Pedro Chaves (PSC-MS)
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Raimundo Lira (PMDB-PB)
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Renan Calheiros (PMDB-AL)
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Roberto Rocha (PSDB-MA)
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Romero Jucá (PMDB-RR)
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Simone Tebet (PMDB-MS)
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Tasso Jereissati (PSDB-CE)
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Telmário Mota (PTB-RR)
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Valdir Raupp (PMDB-RO)
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Vicentinho Alves (PR-TO)
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Waldemir Moka (PMDB-MS)
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Wellington Fagundes (PR-MT)
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Wilder Morais (PP-GO)
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Zezé Perrella (PMDB-MG)
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Aécio Neves estava afastado temporariamente
do mandato desde 26 de setembro. A Procuradoria-Geral da República (PGR)
denuncia o tucano por corrupção passiva e obstrução de Justiça, com base em
delações premiadas do grupo empresarial J&F. Ele foi gravado pedindo R$ 2
milhões ao empresário Joesley Batista.
Cinco parlamentares discursaram pela
manutenção das medidas cautelares impostas a Aécio Neves. O senador Alvaro Dias
(Pode-PR) afirmou que o Plenário precisa respeitar o papel do STF como
intérprete da Constituição.
— Estamos aqui para definir se a decisão do
Supremo vale ou não vale, se a respeitamos ou não. Não votamos contra o senador
[Aécio Neves]. Votamos em respeito à independência dos Poderes e em respeito a
quem cabe a última palavra sobre a interpretação da Constituição, que é o STF,
e não o Senado — disse.
O senador Reguffe (sem partido-DF) usou o
mesmo argumento.
— O Senado não pode e não deve rever uma
decisão da Justiça brasileira, qualquer que seja ela. Se alguém deve rever uma
decisão, deve ser a própria Justiça. O papel do Senado é outro — afirmou.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse votar
pela manutenção das medidas cautelares “por coerência”.
— Votei pela cassação do mandato do senador
Demóstenes Torres, votei pela cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral
e votei pelo afastamento da presidente da República Dilma Rousseff. Voto “sim”
pelos valores que sempre tenho defendido — afirmou.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apoiou
a manutenção das medidas cautelares impostas pelo STF “para que todos sejam
considerados iguais perante a lei”.
— Não estamos avaliando a biografia de
ninguém. Se decidirmos diferente da Primeira Turma do STF, estaremos ofendendo
outro princípio. Cidadãos que sofrem decisão judicial não têm a prerrogativa
que nós parlamentares temos de revogar a decisão na nossa Casa Legislativa —
afirmou.
O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que o
Senado não pode ignorar “o farto material probatório” apresentado pelo
Ministério Público.
— O senador Aécio Neves recebeu vantagem
indevida de R$ 60 milhões em 2014 por meio de notas frias. Em contrapartida,
teria usado o mandato para beneficiar o grupo J&F na liberação de créditos
do ICMS — denunciou.
Defesa
A defesa de Aécio Neves coube a outros cinco
parlamentares. O senador Telmário Mota (PTB-RR) classificou o afastamento do
tucano como “abuso” e “absurdo”.
— Temos que combater a corrupção, mas com
rigorosa observância às leis. A aplicação das medidas cautelares configura
inegável violação à Constituição. Não tem nenhuma razão que justifique sua
manutenção, devendo ser imediatamente sustadas para que o senador reassuma o
pleno exercício do seu mandato — afirmou.
O senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) criticou a
decisão da Primeira Turma do STF, que classificou como “equivocada”.
— Longe de mim afrontar o STF. Mas estou
preocupado com os precedentes. Preocupado que amanhã as medidas cautelares se
estendam não apenas para o Congresso, mas para as assembleias legislativas —
afirmou.
Para o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), o
afastamento do mandato e o recolhimento noturno “não têm cabimento” porque o
processo contra Aécio Neves está em uma fase inicial no STF.
— Estamos diante de um processo em que há uma
denúncia aceita? Há defesa completa no processo? Todo o processo penal está
concluído? Ainda não. Estamos numa fase inaugural, inicial do processo. As
medidas cautelares não têm cabimento neste momento — argumentou.
Para o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), a
decisão sobre o afastamento de Aécio não tem vencedores.
— É um jogo de perde-perde. Não quero criar
biombo para proteger ninguém e não peço proteção a ninguém se um dia cometer
erro. Nesse momento não está em discussão a conduta de Aécio Neves, mas a nossa
coragem de fazer valer os votos que obtivemos no nossos estados — disse.
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) criticou a
decisão do Supremo e defendeu a derrubada das medidas cautelares.
— Estaremos dizendo que o mandato é
inviolável e que o senador não pode ficar afastado por decisão de uma turma do
STF. Não há isso em lugar nenhuma da Constituição. A investigação deve
acontecer no STF, onde o senador vai ser julgado com todas as provas claras —
afirmou.
Carta
Antes da votação do Plenário, o senador Aécio
Neves enviou uma carta aos parlamentares. Ele pediu o apoio dos colegas e disse
estar sofrendo uma “trama ardilosamente construída”. Aécio escreveu:
“Talvez você possa imaginar a minha
indignação diante da violência a que fui submetido e o sofrimento causado a
mim, à minha família e a tantos mineiros e brasileiros que me conhecem de perto
em mais de trinta anos na vida pública”.
FONTE: Agência Senado
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